RESÍDUOS DE IVERMECTINA AINDA TRAZEM PREJUÍZO Cadeia produtiva ainda não conseguiu estabelecer plano definitivo de controle e exportações que continuam abaixo dos níveis de 2009
Por Maristela Franco (Revista DBO Ano 30 – nº373 Nov/11)
A polêmica envolvendo resíduos de antiparasitário ivermectina, medicamento mais utilizado entre os pecuaristas brasileiros, ainda está longe de se resolver. Apesar dos vários encontros entre os representantes dos segmentos de cadeia pecuária, não se chegou a uma solução definitiva. A proposta do governo de exigir receita veterinária para compra de antiparasitários enfrenta forte oposição da FNPPC – Fórum Nacional Permanente de Pecuária e Corte, que classifica a exigência como inaceitável. ”Não precisamos de regras que dificultem ainda mais o trabalho do pecuarista. Existem outras formas de se resolver esse problema; por exemplo, como educação sanitária”, afirma Antenor Nogueira, presidente do Fórum. Efeito direto: Os prejuízos já se acumulam, pois o Brasil não conseguiu retomar as exportações de carne industrializada para os EUA (houve suspensão da exportação da carne para os EUA de junho a dezembro de 2010 por motivo de detecção de resíduos de ivermectina). O Brasil, que era o principal fornecedor desse tipo de carne para o mercado norte-americano, com 73% de participação em 2009, agora detém fatia de 45%, perdendo espaço para a Argentina, Austrália e Nova Zelândia. Além de terem ficado sete meses sem exportar, os frigoríficos tiveram de investir bastante dinheiro em controle preventivo. Somente a empresa JBS, maior fornecedora brasileira de carne industrializada para os EUA, fez mais de 60.000 análises, desde que o problema surgiu. Não se contabilizam, mas também são palpáveis, os prejuízos causados pelo episodio ivermectina à imagem do Brasil, principalmente no momento em que os americanos discutem a possibilidade de abrir seu mercado à carne in natura nacional. O episódio de Febre Aftosa no vizinho Paraguai deu-lhes mais munição. Cabe ao Pecuarista... 1- Utilizar apenas produtos registrados. 2- Consultar o veterinário sobre as formulações mais adequadas a seu sistema de produção. 3- Ler atentamente as instruções contidas no rótulo e na bula, antes de utilizar o medicamento. 4- Respeitar rigorosamente os prazos de carência. 5- Não utilizar produtos indicados para animais de corte em animais de leite ou vice versa. Tratamentos
Bezerros recém-nascidos: devem ser tratados logo após o nascimento com ivermectina 1%. Em seguida, repetir o tratamento aos 3-4 meses e, depois, na desmama. Animais a partir da desmama: vermifugar anualmente nos meses de maio, com ivermectina de longa ação ou abamectina de longa ação; julho ou agosto, com sulfóxido de albendazole (Ricobendazole 10®); e novembro, com ivermectina de alta concentração e liberação programada (Master LP®). Vacas prenhes: recomenda-se tratar todas as vacas uma vez ao ano, em julho ou agosto, com produtos a base de ivermectina de longa ação (Iver L.A®). Por volta de 30 dias antes da data prevista para o parto, uma das bases indicadas é o sulfóxido de albendazole injetável (Ricobendazole 10®). Bovinos de engorda: vermifugar todos os animais de engorda antes da entrada em pastagens vedadas utilizando-se abamectina de longa ação (Aba LA®); ou em confinamentos, com sulfóxido de albendazole injetável (Ricobendazole 10®). Protocolo sugerido por Carlos Alberto de Oliveira Silva, Departamento técnico de bovinos, Ouro fino.
Foto: nelorems.org retirado em 03/12/11
Daniel Félix da Silva Branisso Med. Veterinário CRMV-MT 2619 Membro Diretor ANCLIVEPA-MT |